Turma Pedagogia 2008.1

Turma Pedagogia 2008.1

domingo, 23 de outubro de 2011

Livro Didático (LD) – Amigo ou Inimigo do Professor?

O livro didático, na sociedade em que vivemos tem recebido cada vez mais importância nas práticas de ensino dos nossos professores. Com a precariedade do ensino brasileiro, o LD tem determinado cada vez mais os conteúdos a serem trabalhados e as estratégias a serem utilizadas pelos docentes. Os professores não percebem que o LD deve ser apenas um recurso para o processo de ensino-aprendizagem, não o único.
Durante algumas experiências de estágio, pude perceber uma certa variação na importância que se dá ao LD, uma vez que ele apresenta funções diferentes, onde na maioria das vezes, ou serve de base para se seguir os conteúdos a serem trabalhados em sala de aula, ou é visto como única fonte de ajuda ao professor, apresentando-se na maioria das vezes como substituto do docente, resultando no comprometimento  da aprendizagem do aluno.
Ao se usar o LD dessa forma limitada, é possivel perceber que o docente não vivenciou uma formação teórica e metodológica sólida e por isso não entende a verdadeira função do LD, que é apenas ajudar no trabalho pedagógico, e não levar o professor a se acomodar em relação a sua atuação pedagógica. O professor deve buscar outros recursos para complementar a sua prática pedagógica, de forma a contribuir para a formação de cidadãos críticos, conscientes e reflexivos. Ao se tratar do ensino de história, essa busca por outros materiais pode ser de grande valia, pois através de outros recursos, pode-se levar os alunos a perceber diferentes interpretações de um fato histórico, levando-os a reconhecer que a verdade histórica está sempre em construção e que não há verdades absolutas em História. O professor deve perceber também que uso do LD sem o acompanhamento apropriado estimula a passividade no aluno e a memorização. O professor deve estar em constante busca de instrumentos e recursos.
Enfim, o uso do livro didático tem tanto pontos negativos, quando torna-se o único instrumento utilizado pelo professor, quanto elementos posistivos, quando se torna uma ferramenta norteadora para o ensino. O livro didático pode ser um instrumento eficiente, quando não anula o trabalho do professor. A sua ineficiência  vai depender da maneira como o docente aproveita este material no processo de ensino-aprendizagem.

Meu bairro, minha rua, minha história

Um bairro que não tem memória é um bairro sem alma. E a alma dos bairros é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota um bairro para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua identidade.
O bairro que eu moro a 23 anos atualmente é considerado o maior bairro da cidade de Maceió, com em média 24.624 Km² de área territorial. Quando foi construído, em 1986 era apenas um conjunto habitacional no meio do nada. O Conjunto Residencial Benedito Bentes era considerado pelos moradores um "fim de mundo", devido estar localizado bastante longe do centro da cidade. Só morava lá quem não tinha condições de comprar uma casa na cidade. Aos poucos, os moradores foram se adaptando à distância, ganharam novas linhas de ônibus e o comércio começou a crescer. Atualmente o comércio desse bairro absorve quase toda extensão das principais avenidas, com lojas dos mais variados ramos de negócios e constitui-se de uma série de outros conjuntos, grotas e loteamentos.
Quando meus pais vieram morar nesse bairro, eu sequer era nascida, e nem todos os lotes da rua eram ocupados, de 48 lotes, apenas 8 deles eram ocupados por famílias, era praticamente uma rua deserta, ou melhor, um bairro deserto. Aos poucos os lotes iam sendo ocupados e o bairro ia sendo habitado. Segundo minha mãe, os piores dias de sua vida foi quando veio morar aqui, pois quase não haviam moradores e os poucos que tinham, passavam a maior parte do dia fora de casa, segundo ela, “a rua era um deserto só”. O frio e a solidão eram as sensações mais sentidas por ela. Um ano após o fundamento do bairro, chego eu para acabar com esse sentimento de solidão da minha mãe. Em 1987, grande parte dos moradores já haviam tomado posse de suas casas, a rua já era mais habitada, já haviam vizinhos ao lado da minha casa e aos poucos o sentimento de solidão ia se distanciando.
A rua que moro, não tem nome de nenhuma personalidade política ou de alguém que já morreu, não sei por que, mas não quiseram homenagear ninguém quando definiram as ruas. Desde o fundamento do bairro suas ruas são conhecidas por lotes que são divididos em 80 ruas, distribuídas entre as quadras A e B. A minha rua é conhecida por rua A-10, devido ser a 10ª rua depois do inicio da avenida e quadra também é A-10, pois fica do lado A, na 10ª rua. Não existe nenhuma história sobre o nome da rua que, na verdade, nem nome tem, apenas uma denominação, uma identificação.
Poucas são as pessoas que moram nessa rua desde sua habitação, no fundamento do conjunto. Os integrates da minha família foram alguns dos primeiros moradores que vieram morar na rua que moramos até hoje. Vinte e seis anos se passaram, os vizinho mudaram, as estruturas das casas também mudaram, a população cresceu, mas a rua que moro ainda hoje permanece com as mesmas características de seu fundamento.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Minha trajetória na UFAL


Tem coisas que ficam na memória e, na primeira oportunidade, a gente se lembra. Foi o que aconteceu comigo há alguns dias. É por isso que venho aqui relatar retalhos da história de minha formação, pois há coisas na vida da gente que passam tão rápido que quando a gente se dá conta muita coisa já tem ficado pra trás e não damos o devido valor, só depois que percebemos o quanto aqueles momentos foram importantes pra nós.
Tudo começou quando tentei o meu primeiro vestibular, isso foi em 2005, ano em que eu estava concluindo o ensino médio. Era tanto conteúdo para estudar, provas e trabalhos para fazer, momentos de reta final da minha vida escolar. Além de todas essas atribuições o que mais me angustiava era a dúvida de qual curso escolher para prestar vestibular. Enquanto meus colegas de sala já tinham definido o que queriam cursar, eu me encontrava totalmente perdida sem saber o que escolher. Essa indecisão me acompanhou até os dias finais do prazo para inscrição do vestibular. Não tinha mais jeito, eu tinha que decidir algo. Foi então que prestei o meu primeiro vestibular para Ciências Contábeis, mas não fui aprovada.
Um ano e meio se passaram e eu acabei me acomodando em relação aos estudos, me dedicando apenas a trabalhar. Até que despertei pra realidade e me dei conta que chega uma hora que temos que buscar o que é melhor pra gente. Mas uma vez resolvi prestar vestibular e a mesma dúvida que tinha em relação ao curso que escolher me assombrava mais uma vez. Era angustiante não ter certeza de qual carreira seguir, do que realmente eu gostaria de dedicar meus estudos. A escolha por Pedagogia se deu por critério de eliminação, pois eu apenas tinha certeza do que eu não queria estudar. O jeito foi recorrer à internet como uma alternativa par esclarecer minhas dúvidas em relação aos cursos de graduação. Pesquisei por horas o ramo de atuação de alguns cursos e fiz a seleção daqueles que possuíam maior campo de atuação no mercado de trabalho.
O dia de fazer a inscrição do vestibular foi um dos dias mais angustiantes da minha vida. Durante a fase das provas, me senti super tranquila, não deixando que a falta de preparo em relação aos estudos atrapalhasse algo. Eu achava que as minhas provas não tinham sido ruins, mas também não foram boas. No dia do resultado do vestibular, eu optei por não participar da concentração para o trote UFAL. Decidi ir para a casa de uma amiga que também tinha participado da seleção para escutar o resultado do vestibular pela rádio, já que eu tinha certeza que não iria passar. Confesso que quando comecei a escutar a lista dos aprovados, me bateu um nervosismo que ia aumentando gradativamente, quando chegou a vez de listar os aprovados em pedagogia aquele nervosismo aumentou intensamente, era um sentimento estranho, pois lá no fundo eu achava que meu nome não ia estar entre os aprovados. Foi então que, para minha surpresa, eu era uma das aprovadas no vestibular da UFAL. A partir daí a surpresa se misturava com o sentimento de alegria e naquele momento tomou conta de mim e os planos e sonhos iam se estruturando na minha mente.
Alguns meses se passaram e chega então o tão sonhado dia, o primeiro dia de aula. Lembro-me como hoje, eu cheguei à universidade fascinada, me sentindo o máximo, afinal eu passava a ser “universitária”, uma nova etapa começava, com novos caminhos a traçar, um novo mundo para explorar, com novas pessoas para conhecer.
Os primeiros meses de aula foram bastante difíceis, afinal era muito diferente do que eu tinha vivenciado na escola, era uma realidade diferente das escolas públicas, com metodologias diferentes, onde a quantidade de leitura e trabalhos era dobrada e a forma de fazer esses trabalhos também eram diferentes, além de ter que relacionar com uma turma de em média 40 pessoas desconhecidas. Aos poucos a turma foi se entrosando e os grupos foram se definindo.
Lembro-me, sobretudo, das festas que aconteciam no campus da universidade, esses eram um dos melhores momentos, perdi as contas da quantidade de pessoas que conheci e amizades que conquistei nessas festas. Algumas delas permanecem até hoje.
Um dos momentos mais estressantes, sem dúvida alguma era a fase de provas e seminários. Até hoje esses acontecimentos mexem com o meu humor, não consegui tratar esses acontecimentos com naturalidade.
Atualmente a turma reduziu um pouco, algumas pessoas ficaram pelo caminho, outras se desvincularam da universidade, mas cada uma dessas pessoas deixaram suas marcas e jamais serão esquecidas. Passamos também por momentos de renovação, novas pessoas passaram a fazer parte da turma e estão conosco ajudando a construir a história da turma - Pedagogia 2008.1.
Agora que estamos na reta final do curso fico a pensar o que será de cada um que faz parte da turma, que rumos vão seguir? Que amizades vão perdurar? Afinal, falta pouco tempo para cada um seguir seu rumo dissociado da universidade.
E quanto a mim? O que o futuro me reserva? Penso nisso todos os dias! São tantos os sonhos, tantas as incertezas. Para um futuro não tão distante planejo tentar não me desvincular totalmente da universidade, devido às oportunidades que ela pode me proporcionar, pretendo atuar no ramo que eu descobri gostar realmente, que é coordenar ou atuar com educação de jovens e adultos, área que percebi que merece total dedicação do profissional.
Devo uma grande parte da pessoa que sou hoje, a essas memórias que ficaram um dia inscritas num tempo, que ninguém jamais conseguirá apagar.