Um bairro que não tem memória é um bairro sem alma. E a alma dos bairros é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota um bairro para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua identidade.
O bairro que eu moro a 23 anos atualmente é considerado o maior bairro da cidade de Maceió, com em média 24.624 Km² de área territorial. Quando foi construído, em 1986 era apenas um conjunto habitacional no meio do nada. O Conjunto Residencial Benedito Bentes era considerado pelos moradores um "fim de mundo", devido estar localizado bastante longe do centro da cidade. Só morava lá quem não tinha condições de comprar uma casa na cidade. Aos poucos, os moradores foram se adaptando à distância, ganharam novas linhas de ônibus e o comércio começou a crescer. Atualmente o comércio desse bairro absorve quase toda extensão das principais avenidas, com lojas dos mais variados ramos de negócios e constitui-se de uma série de outros conjuntos, grotas e loteamentos.
Quando meus pais vieram morar nesse bairro, eu sequer era nascida, e nem todos os lotes da rua eram ocupados, de 48 lotes, apenas 8 deles eram ocupados por famílias, era praticamente uma rua deserta, ou melhor, um bairro deserto. Aos poucos os lotes iam sendo ocupados e o bairro ia sendo habitado. Segundo minha mãe, os piores dias de sua vida foi quando veio morar aqui, pois quase não haviam moradores e os poucos que tinham, passavam a maior parte do dia fora de casa, segundo ela, “a rua era um deserto só”. O frio e a solidão eram as sensações mais sentidas por ela. Um ano após o fundamento do bairro, chego eu para acabar com esse sentimento de solidão da minha mãe. Em 1987, grande parte dos moradores já haviam tomado posse de suas casas, a rua já era mais habitada, já haviam vizinhos ao lado da minha casa e aos poucos o sentimento de solidão ia se distanciando.
A rua que moro, não tem nome de nenhuma personalidade política ou de alguém que já morreu, não sei por que, mas não quiseram homenagear ninguém quando definiram as ruas. Desde o fundamento do bairro suas ruas são conhecidas por lotes que são divididos em 80 ruas, distribuídas entre as quadras A e B. A minha rua é conhecida por rua A-10, devido ser a 10ª rua depois do inicio da avenida e quadra também é A-10, pois fica do lado A, na 10ª rua. Não existe nenhuma história sobre o nome da rua que, na verdade, nem nome tem, apenas uma denominação, uma identificação.
Poucas são as pessoas que moram nessa rua desde sua habitação, no fundamento do conjunto. Os integrates da minha família foram alguns dos primeiros moradores que vieram morar na rua que moramos até hoje. Vinte e seis anos se passaram, os vizinho mudaram, as estruturas das casas também mudaram, a população cresceu, mas a rua que moro ainda hoje permanece com as mesmas características de seu fundamento.

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