Turma Pedagogia 2008.1

Turma Pedagogia 2008.1

terça-feira, 15 de novembro de 2011

História do Bio - Literatura de Cordel

Um lugar tão distante
Onde ninguém queria se instalar
Era quase um fim de mundo
Só sabe explicar quem viveu lá
Benedito Bentes é o seu nome
Ôh lugar longe pra se morar

Benedito Bentes sempre se chamou
É homenagem a um empresário
Que lá nunca morou
De Manaus veio com sua família
E em Maceió se instalou

Manoel Bentes era seu pai
Veio pra Maceió trabalhar
Era casado e tinha quatro filhos
Resolveu um deles de Benedito chamar
O bairro ficou com esse nome
Para a este filho homenagear

Vivia como se alagoano fosse
E com uma alagoana logo se casou
Misturando assim seu sangue
Com o de Vega uma linda flor
Viveram muitos anos
E Vega oito filhos gerou

O bairro é bastante conhecido
É o mais populoso da cidade
Tem mais de oitenta ruas
Todas com muita simplicidade

É um bairro bastante isolado
Tem somente uma via de acesso
Mas o desenvolvimento tem se aproximado
Mais uma pista trará mais progresso

É tanta gente morando lá
Que ônibus fica díficil pegar
Diversão não se encontra em todo lugar
Fica tudo muito distante
E quem não tem carro tem que se virar

O rio fica bem pertinho
Dá até pra ir a pé
Mas é ruim de ir sozinho
Só fica bom se uma galera a gente tiver

Hoje com tanta gente morando
Até um shopping já se instalou
Mais moradores vai ganhando
Sinal que o desenvolvimento chegou
Mas não adianta o desenvolvimento chegar
Se a infraestrutura não melhorar

Moro lá desde que nasci
Até hoje já bem crescida
Muita coisa já vivi
Nessa terra por muitos querida

Música e História - Mulher Nova, Bonita e Carinhosa (Zé Ramalho - 1982)


Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor

A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor


Apesar de tratar de vários fatos históricos, essa música tem como foco principal destacar a importância do papel da mulher no desenrrolar da história. A letra destaca que mesmo em tempos que a mulher era submissa e subjulgada, ela conseguia influenciar fatos históricos.


A primeira estrofe trata da história da guerra entre gregos e troianos, que teve, como suposto motivo, a traição de Helena (mulher de Menelau, o Rei de Esparta) e Paris (Príncipe de Tróia). Mesmo quando versões da história diziam que a guerra já era prevista, tratam essa traição como estopim para o início da guerra.


Na segunda estrofe a letra se refere a história de Alexandre (O grande), que mesmo com a fama de grande conqusitador (de guerras), se apaixonou por uma prisioneira de guerra e acabou casando-se com ela.

Por fim, o autor menciona o famoso personagem da história brasileira, Virgulino Ferreira da Silva (o Lampião), que mesmo com a fama de um dos mais violentos cangaceiros, foi seduzido por uma bela jovem chamada Maria Gomes de Oliveira (a Maria Bonita). Há quem diga que Maria bonita exercia forte influência sobre as decisões de Lampião.

Um objeto que tem muita história pra contar!

O objeto escolhido por mim é uma imagem de Santo Antônio feito de madeira, que na verdade não me pertence, mas está na minha familía a bastante tempo, passando de geração pra geração. Pertenceu primeiramente á mãe do meu bisavô (minha tataravó), foi passado para a minha bisavó (que não está mais entre nós), pertenceu a minha avó (por quem em tenho muito carinho e admiração) e hoje pertence a minha mãe que o guarda com todo cuidado e respeito em memória aos meus antepassados. O cuidado é tanto que essa imagem fica guardada, escondida em seu guarda roupa. O motivo de tanto cuidado é o fato de que essa imagem já foi furtada por uma amiga da família que acreditava na velha lenda do santo casamenteiro. A imagem foi devolvida apenas quando a única filha dessa nossa amiga casou-se, depois de mais de um ano.

A lenda diz que uma jovem muito linda, mas cansada de esperar por um noivo que não chegava, já desesperançosa de encontrar marido, se apegou com Santo Antônio. Foi ao santeiro da cidade, adquiriu uma imagem do mesmo e colocou-a no oratório e ali lhe levava, todos os dias, flores que colhia no jardim e fazia suas rezas e o reforçava o pedido de conseguir um marido.

Passaram-se semanas, meses e anos. O noivo não aparecia, nem se falava na redondeza que algum pretendente. Certa vez, depois de consultar o espelho e ter descoberto prenúncios de pés de galinha, se pôs a lamentar da ingratidão do santo. Desapontada pelo poder miraculoso do santo, toma a imagem e, no auge do desespero, atira-a pela janela a fora. Passava na rua, naquele momento, um jovem cavaleiro que a recebe, em cheio, sobre a cabeça. Apanha-a, intacta e sobe a escada do sobrado de onde partiu a imagem. Vem recebê-lo, por notável coincidência, a formosa e geniosa donzela. Apaixona-se por ela o cavaleiro e, tempos após, acabam casando, naturalmente por milagre do santo.

A partir dessa história Santo Antônio torna-se (no Brasil e em Portugal) um “santo casamenteiro”.

Segundo minha avó, a imagem da qual estou falando denomina-se Santo Antônio Caminhante, por conta de uma outra crendice derivada da lenda contada anteriormente. Nessa crendice, mulheres solteiras que sonhavam em se casar deviam roubar uma imagem do santo e devolvê-la apenas depois de alcançarem o sonhado matrimônio. Por passar pelas mãos de várias mulheres (que roubavam a imagem) e depois retornar as mãos do verdadeiro dono, imagens assim foram denominadas Santo Antônio Caminhante.

Com o tempo a lenda do santo casamenteiro foi se modificando. Hoje, para quem acredita no milagre, além de roubar ou ganhar a imagem, tem que castigá-la para alcançar a graça mais rápido. Já ouvi falar de gente que o deixou de castigo de cabeça para baixo, que amarrou o santo de cabeça pra baixo, que deixou-o dentro de um copo de água, ou até mesmo que enrolou a sua cabeça com um pano ou uma fita. O santo só é tirado do castigo quando o casamento acontece.

domingo, 23 de outubro de 2011

Livro Didático (LD) – Amigo ou Inimigo do Professor?

O livro didático, na sociedade em que vivemos tem recebido cada vez mais importância nas práticas de ensino dos nossos professores. Com a precariedade do ensino brasileiro, o LD tem determinado cada vez mais os conteúdos a serem trabalhados e as estratégias a serem utilizadas pelos docentes. Os professores não percebem que o LD deve ser apenas um recurso para o processo de ensino-aprendizagem, não o único.
Durante algumas experiências de estágio, pude perceber uma certa variação na importância que se dá ao LD, uma vez que ele apresenta funções diferentes, onde na maioria das vezes, ou serve de base para se seguir os conteúdos a serem trabalhados em sala de aula, ou é visto como única fonte de ajuda ao professor, apresentando-se na maioria das vezes como substituto do docente, resultando no comprometimento  da aprendizagem do aluno.
Ao se usar o LD dessa forma limitada, é possivel perceber que o docente não vivenciou uma formação teórica e metodológica sólida e por isso não entende a verdadeira função do LD, que é apenas ajudar no trabalho pedagógico, e não levar o professor a se acomodar em relação a sua atuação pedagógica. O professor deve buscar outros recursos para complementar a sua prática pedagógica, de forma a contribuir para a formação de cidadãos críticos, conscientes e reflexivos. Ao se tratar do ensino de história, essa busca por outros materiais pode ser de grande valia, pois através de outros recursos, pode-se levar os alunos a perceber diferentes interpretações de um fato histórico, levando-os a reconhecer que a verdade histórica está sempre em construção e que não há verdades absolutas em História. O professor deve perceber também que uso do LD sem o acompanhamento apropriado estimula a passividade no aluno e a memorização. O professor deve estar em constante busca de instrumentos e recursos.
Enfim, o uso do livro didático tem tanto pontos negativos, quando torna-se o único instrumento utilizado pelo professor, quanto elementos posistivos, quando se torna uma ferramenta norteadora para o ensino. O livro didático pode ser um instrumento eficiente, quando não anula o trabalho do professor. A sua ineficiência  vai depender da maneira como o docente aproveita este material no processo de ensino-aprendizagem.

Meu bairro, minha rua, minha história

Um bairro que não tem memória é um bairro sem alma. E a alma dos bairros é sua própria razão de ser. É sua poesia, é seu encanto, é seu acervo. Quem nasce, quem mora, quem adota um bairro para viver, precisa de história, das referências, dos recantos da cidade, para manter sua própria identidade, para afirmar sua individualidade, para fixar sua identidade.
O bairro que eu moro a 23 anos atualmente é considerado o maior bairro da cidade de Maceió, com em média 24.624 Km² de área territorial. Quando foi construído, em 1986 era apenas um conjunto habitacional no meio do nada. O Conjunto Residencial Benedito Bentes era considerado pelos moradores um "fim de mundo", devido estar localizado bastante longe do centro da cidade. Só morava lá quem não tinha condições de comprar uma casa na cidade. Aos poucos, os moradores foram se adaptando à distância, ganharam novas linhas de ônibus e o comércio começou a crescer. Atualmente o comércio desse bairro absorve quase toda extensão das principais avenidas, com lojas dos mais variados ramos de negócios e constitui-se de uma série de outros conjuntos, grotas e loteamentos.
Quando meus pais vieram morar nesse bairro, eu sequer era nascida, e nem todos os lotes da rua eram ocupados, de 48 lotes, apenas 8 deles eram ocupados por famílias, era praticamente uma rua deserta, ou melhor, um bairro deserto. Aos poucos os lotes iam sendo ocupados e o bairro ia sendo habitado. Segundo minha mãe, os piores dias de sua vida foi quando veio morar aqui, pois quase não haviam moradores e os poucos que tinham, passavam a maior parte do dia fora de casa, segundo ela, “a rua era um deserto só”. O frio e a solidão eram as sensações mais sentidas por ela. Um ano após o fundamento do bairro, chego eu para acabar com esse sentimento de solidão da minha mãe. Em 1987, grande parte dos moradores já haviam tomado posse de suas casas, a rua já era mais habitada, já haviam vizinhos ao lado da minha casa e aos poucos o sentimento de solidão ia se distanciando.
A rua que moro, não tem nome de nenhuma personalidade política ou de alguém que já morreu, não sei por que, mas não quiseram homenagear ninguém quando definiram as ruas. Desde o fundamento do bairro suas ruas são conhecidas por lotes que são divididos em 80 ruas, distribuídas entre as quadras A e B. A minha rua é conhecida por rua A-10, devido ser a 10ª rua depois do inicio da avenida e quadra também é A-10, pois fica do lado A, na 10ª rua. Não existe nenhuma história sobre o nome da rua que, na verdade, nem nome tem, apenas uma denominação, uma identificação.
Poucas são as pessoas que moram nessa rua desde sua habitação, no fundamento do conjunto. Os integrates da minha família foram alguns dos primeiros moradores que vieram morar na rua que moramos até hoje. Vinte e seis anos se passaram, os vizinho mudaram, as estruturas das casas também mudaram, a população cresceu, mas a rua que moro ainda hoje permanece com as mesmas características de seu fundamento.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Minha trajetória na UFAL


Tem coisas que ficam na memória e, na primeira oportunidade, a gente se lembra. Foi o que aconteceu comigo há alguns dias. É por isso que venho aqui relatar retalhos da história de minha formação, pois há coisas na vida da gente que passam tão rápido que quando a gente se dá conta muita coisa já tem ficado pra trás e não damos o devido valor, só depois que percebemos o quanto aqueles momentos foram importantes pra nós.
Tudo começou quando tentei o meu primeiro vestibular, isso foi em 2005, ano em que eu estava concluindo o ensino médio. Era tanto conteúdo para estudar, provas e trabalhos para fazer, momentos de reta final da minha vida escolar. Além de todas essas atribuições o que mais me angustiava era a dúvida de qual curso escolher para prestar vestibular. Enquanto meus colegas de sala já tinham definido o que queriam cursar, eu me encontrava totalmente perdida sem saber o que escolher. Essa indecisão me acompanhou até os dias finais do prazo para inscrição do vestibular. Não tinha mais jeito, eu tinha que decidir algo. Foi então que prestei o meu primeiro vestibular para Ciências Contábeis, mas não fui aprovada.
Um ano e meio se passaram e eu acabei me acomodando em relação aos estudos, me dedicando apenas a trabalhar. Até que despertei pra realidade e me dei conta que chega uma hora que temos que buscar o que é melhor pra gente. Mas uma vez resolvi prestar vestibular e a mesma dúvida que tinha em relação ao curso que escolher me assombrava mais uma vez. Era angustiante não ter certeza de qual carreira seguir, do que realmente eu gostaria de dedicar meus estudos. A escolha por Pedagogia se deu por critério de eliminação, pois eu apenas tinha certeza do que eu não queria estudar. O jeito foi recorrer à internet como uma alternativa par esclarecer minhas dúvidas em relação aos cursos de graduação. Pesquisei por horas o ramo de atuação de alguns cursos e fiz a seleção daqueles que possuíam maior campo de atuação no mercado de trabalho.
O dia de fazer a inscrição do vestibular foi um dos dias mais angustiantes da minha vida. Durante a fase das provas, me senti super tranquila, não deixando que a falta de preparo em relação aos estudos atrapalhasse algo. Eu achava que as minhas provas não tinham sido ruins, mas também não foram boas. No dia do resultado do vestibular, eu optei por não participar da concentração para o trote UFAL. Decidi ir para a casa de uma amiga que também tinha participado da seleção para escutar o resultado do vestibular pela rádio, já que eu tinha certeza que não iria passar. Confesso que quando comecei a escutar a lista dos aprovados, me bateu um nervosismo que ia aumentando gradativamente, quando chegou a vez de listar os aprovados em pedagogia aquele nervosismo aumentou intensamente, era um sentimento estranho, pois lá no fundo eu achava que meu nome não ia estar entre os aprovados. Foi então que, para minha surpresa, eu era uma das aprovadas no vestibular da UFAL. A partir daí a surpresa se misturava com o sentimento de alegria e naquele momento tomou conta de mim e os planos e sonhos iam se estruturando na minha mente.
Alguns meses se passaram e chega então o tão sonhado dia, o primeiro dia de aula. Lembro-me como hoje, eu cheguei à universidade fascinada, me sentindo o máximo, afinal eu passava a ser “universitária”, uma nova etapa começava, com novos caminhos a traçar, um novo mundo para explorar, com novas pessoas para conhecer.
Os primeiros meses de aula foram bastante difíceis, afinal era muito diferente do que eu tinha vivenciado na escola, era uma realidade diferente das escolas públicas, com metodologias diferentes, onde a quantidade de leitura e trabalhos era dobrada e a forma de fazer esses trabalhos também eram diferentes, além de ter que relacionar com uma turma de em média 40 pessoas desconhecidas. Aos poucos a turma foi se entrosando e os grupos foram se definindo.
Lembro-me, sobretudo, das festas que aconteciam no campus da universidade, esses eram um dos melhores momentos, perdi as contas da quantidade de pessoas que conheci e amizades que conquistei nessas festas. Algumas delas permanecem até hoje.
Um dos momentos mais estressantes, sem dúvida alguma era a fase de provas e seminários. Até hoje esses acontecimentos mexem com o meu humor, não consegui tratar esses acontecimentos com naturalidade.
Atualmente a turma reduziu um pouco, algumas pessoas ficaram pelo caminho, outras se desvincularam da universidade, mas cada uma dessas pessoas deixaram suas marcas e jamais serão esquecidas. Passamos também por momentos de renovação, novas pessoas passaram a fazer parte da turma e estão conosco ajudando a construir a história da turma - Pedagogia 2008.1.
Agora que estamos na reta final do curso fico a pensar o que será de cada um que faz parte da turma, que rumos vão seguir? Que amizades vão perdurar? Afinal, falta pouco tempo para cada um seguir seu rumo dissociado da universidade.
E quanto a mim? O que o futuro me reserva? Penso nisso todos os dias! São tantos os sonhos, tantas as incertezas. Para um futuro não tão distante planejo tentar não me desvincular totalmente da universidade, devido às oportunidades que ela pode me proporcionar, pretendo atuar no ramo que eu descobri gostar realmente, que é coordenar ou atuar com educação de jovens e adultos, área que percebi que merece total dedicação do profissional.
Devo uma grande parte da pessoa que sou hoje, a essas memórias que ficaram um dia inscritas num tempo, que ninguém jamais conseguirá apagar.